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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Indo Além com Deus

de Henry Blackaby




[*** A data da Páscoa passou, mas, os efeitos da obra de Cristo, realizada na Cruz, graças à Deus vão ecoando ao longo dos séculos. Vamos continuar refletindo mais um pouco sobre a Páscoa e sua importância nas próximas três reflexões de Henry Blackaby. No exemplo de Jesus encontraremos direção e esperança em momentos difíceis de nossas vidas também. Se as reflexões lhe forem edificantes, por favor, compartilhem com amigos e colegas, sempre incluíndo os links para o site e as referências à autoria. Deus lhe abençoe e feliz Pós-Páscoa.]

E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. – Marcos 14:35 
Alguns cristãos ficam satisfeitos em ter apenas um relacionamento superficial com Cristo. Outros desejam passar os momentos mais santos com Ele.
Na noite em que Jesus passou orando no jardim do Getsêmani, pessoas reagiram a Ele de manerias diferentes. Havia aqueles que estavam tão alheios a Jesus que nem sequer sabiam que Ele estava no jardim. Também tinha Judas, que sabia onde Jesus estava, mas que estava ocupado demais com seus próprios planos e não se uniu a Ele.
O resto dos discípulos juntou-se a Jesus no jardim, mas eles foram distraídos pelo sono. Jesus falou a eles sobre a urgência daquela hora, mas eles não compreenderam. Havia o círculo mais íntimo de discípulos, Pedro, Tiago e João. No início eles oraram com Jesus. Mas eles ainda não alcançaram o significado daquele momento.
Por fim, Jesus orou sozinho. Ele foi além dos seus discípulos e orou por mais tempo. No momento de maior intercessão na história da humanidade, não havia ninguém disposto a ficar com Jesus e vigiar com Ele.
Ao longo da história Deus tem procurado por aqueles que desejam deixar tudo de lado e submeter-se a Ele e ao Seu desejo de redimir o mundo. Algumas vezes Deus ficou impressionado por não haver ninguém disposto a acompanhá-lo (Is 63:5; 59:16). Os profetas pareciam discernir mais do que as pessoas comuns, pois enquanto a sociedade continuava sua vida como se não houvesse nada de errado, os profetas agonizavam e choravam por causa daquilo que eles sabiam que Deus estava para fazer.
Deus está lhe chamando para ir mais fundo na sua vida de oração com Ele. Se você tem interesse em ser o tipo de pessoa que Jesus pode levar com Ele nos momentos mais sagrados, você terá experiências que só os anjos tiveram com Jesus no jardim naquela noite. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vida em Cristo: O Controle Remoto e a Cruz‏

de Dennis Downing 
 
 
O controle remoto é um aparelho bastante útil.
Durante qualquer filme nós podemos pular partes ou repetir cenas
interessantes.
 
Quando um acidente ocorre, podemos voltar para o momento antes.
Quando uma pessoa fala algo que não devia, podemos retornar ao
momento anterior ao que ela falou.
Podemos até parar uma bala no tempo e impedir que uma pessoa morra.
Tudo isso com o controle remoto.
 
Não seria bom se tivéssemos um controle remoto para a vida?
 
No filme “Click” (2006) Adam Sandler faz o papel de um arquiteto
sobrecarregado, que descobre um controle remoto universal, o qual lhe
permite parar tudo ao seu redor, enquanto ele faz o que quer.
 
Ele pode pular situações complicadas, ou adiantar momentos de vitória
na sua vida pessoal. Ele pode até voltar ao passado.
 
Só tem um porém.
Ele não pode mudar o passado.
 
Você já quis mudar algo que você fez na vida?
Você já teve vontade de voltar atrás em algo que você falou?
Já quis apagar uma frase, ou retirar uma declaração?
 
Teve alguma situação na sua vida em que você fez algo pelo qual você
daria qualquer coisa para desfazer?
 
Como seria bom se tivéssemos um controle remoto universal para voltar
atrás em nossas vidas!
 
Aquela palavra ou aquele ato. Aquela reação, ou aquela atitude.
Como seria bom se pudéssemos voltar no tempo e mudá-los.
 
Mas, não podemos.
 
Você não tem um controle remoto que lhe permite voltar no tempo.
Você não tem como rebobinar sua vida.
 
Você não tem como desfazer seus pecados.
Não tem como retirar palavras que machucaram, atos que feriram,
atitudes que magoaram.
 
Você não tem como fazer nada disso.
 
Mas, Jesus tem algo melhor.
Ele tem como limpar todo seu passado.
É isso que ele quer fazer para você a partir de hoje.
 
Jesus começou a obra na cruz do Calvário.
E ele quer terminá-la ainda hoje em sua vida.
 
Você está pronto para deixá-Lo?
 
A Páscoa não é sobre ovos de chocolate e coelhinhos.
Isso é para os comerciantes venderem suas mercadorias.
 
A Páscoa é sobre sangue, morte e redenção.
Tudo que a gente encontra num cântico favorito meu.
 
“Seja bendito o Cordeiro que na cruz por nós padeceu.
Seja bendito o Seu sangue que por nós pecadores verteu.
Eis nesse sangue lavados, com roupas que tão alvas são,
Os pecadores remidos, que perante seu Deus hoje estão!
 
Coro: Alvo mais que a neve! Alvo mais que a neve!
Sim, nesse sangue lavado, mais alvo que a neve serei!”
(“Doxologia” de Kleber Lucas)
 
Jesus pode perdoar os seus pecados?
 
Ele não só pode, como ele morreu na cruz para provar que pode e que
quer.
 
“ Eu?”, você pergunta.
Jesus quer me perdoar?
Eu com tantos pecados e falhas?
Tão fracassado! Tão insignificante!
Por que Jesus perdoaria uma pessoa como eu?
 
Volte mais uma vez para o Calvário.
Pense nos últimos momentos da vida de Jesus.
 
Você lembra aquele último pedido feito a ele?
Aquele ladrão pendurado ao lado do Senhor?
Você lembra a resposta de Jesus?
 
Quem foi que Jesus escolheu para levar desta vida para a glória?
A quem ele prometeu que entraria na eternidade ao seu lado?
 
Foi a seu discípulo mais fiel?
Foi a um apóstolo ou pregador famoso?
 
Foi a um príncipe ou um profeta?
Nenhum destes.
 
Ele prometeu a um criminoso confesso, um pecador assumido, um Zé
ninguém cujo nome até hoje é desconhecido.
Mas, o homem teve a ousadia de pedir a Jesus misericórdia.
Lembre como Jesus respondeu àquele humilde pedido.
 
Você quer pedir algo a Jesus?
Você precisa da misericórdia, do perdão dEle? 
 
Agora você sabe a resposta.
Já dá para imaginar as bênçãos que lhe esperam.
 
Jesus está pronto.
Só falta você.

domingo, 13 de março de 2011

Vida em Cristo: O Poder que Machuca‏





















de Danilo Souza


 “A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus" (1 Coríntios 3.19)

O poder vem de diversas formas. É o marido que recusa ser amável com
a esposa. É o empregado que coloca a ambição pessoal sobre a própria
integridade. É a esposa que regula o sexo para punir e persuadir. Pode
ser o tirar a vida de alguém, ou o tirar a vez de alguém... Porém
tudo é soletrado da mesma forma: P-O-D-E-R.

E todos têm a mesma meta: “Conseguirei o que quero às suas custas”. E
todos têm o mesmo fim: Futilidade.

Poder absoluto é inalcançável. E quando você chegar ao topo – se
houver um topo – o único caminho a seguir é para baixo. E a descida é
geralmente dolorosa.

 Daqui a mil anos terá importância o título que o mundo lhe
deu? Não, mas fará uma enorme diferença saber de quem você é filho –
e quantos foram recebidos por você como irmãos.

 “... Se eu puder ajudar alguém a seguir a diante, mostrar o caminho
certo, cumprir meu dever como cristão, que é divulgar a mensagem que
Cristo deixou, então minha vida não terá sido em vão..."

sábado, 25 de setembro de 2010

Vida em Cristo - O que Será que Ela Estava Pensando?‏




de Rubel Shelly


Se alguém precisar de prova de que o conceito de "a mente criminal"
pudesse ser de certa forma uma contradição, basta conferir as
manchetes. Confusão, assaltos, e tráfico de drogas não são
comportamentos das melhores e mais luminosas mentes da nossa
sociedade. É verdade que muitas pessoas inteligentes se envolvem no
crime. É que, parece que alguma coisa endoida nelas.

Considere o caso de Charmaine Stein. É a história de uma mulher de 30
anos que foi indiciada e presa pelo roubo de um banco em 2006, quando
ela fugiu com $22.000 dólares. Não foi necessário envolver a equipe
da CSI. Nenhuma pesquisa de DNA foi necessária. Nenhuma perseguição
em alta velocidade. Não precisaram chamar o BOPE Americano.

Sra. Stein deixou o endereço dela no banco que ela roubou em
Riverhead, Nova Iorque. O recado que ela entregou exigindo o dinheiro
do caixa do banco tinha o endereço dela. Ela o escreveu no verso de
um envelope de mala direta endereçado à casa dela. Tudo que a polícia
teve que fazer foi vigiar a casa dela até que ela chegasse alguns
dias após o roubo. Ela foi presa na hora.

Criminosos são realmente tão estúpidos? Ou será que algumas pessoas
ficam tão desesperadas que a inteligência entra em pane? Será que
elas entram em situações tão desesperadas que eles perdem a
habilidade de raciocinar? Será que eles ficam tão obcecados por algum
esquema que perdem não só seu senso moral, mas o bom senso também?

Antes de julgarmos de forma severa demais uma ladra de banco, vamos
considerar algumas outras notícias da mesma semana: “Médico culpado
pelo assassinato de esposa”, a “Mulher indiciada por vender filho”, e
“Prefeito preso em blitz contra prostituição”. Estas pessoas não são
bobas ou insanas. Elas deveriam ser responsabilizadas e pagar pelos
seus crimes. E o resto de nós deveria aprender das histórias
delas.

Ninguém é imune à calamidade moral. Desde furtar fundos do escritório
até perder a paciência, e até automedicar para um coração
quebrado, nós seres humanos somos realmente bastante inteligentes e
criativos para “consertar” a nós mesmos. Daí parece que sempre tem
uma longa lista de convites para o perigo, cada um cabendo direitinho
numa das rachaduras da nossa armadura moral. Aquelas “rachaduras”
variam de orgulho a cobiça, até a ganância. Elas são muito reais.

As Escrituras dizem que Satanás é nosso adversário. Com uma
habilidade magisterial, ele explora os nossos pontos fracos. Ele nos
cega para o dano que uma mentira ou caso amoroso certamente causará.
Ele nos convence com a idéia sedutora de que nós podemos escapar
daquilo em que todo mundo antes de nós tropeçou.

Se você estiver sentindo um daqueles toques do diabo hoje, não caia
nessa. Você tem alguém do seu lado. “Resistam ao Diabo, e ele fugirá
de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês!”
 (Tiago 4:7-8).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vida em Cristo : O Extraordinário no Comum‏

de Chris Seidman

Na sua obra “Aurora Leigh”, a poetisa Elizabeth Barrett Browning
escreveu:

A terra está abarrotada do céu, E toda sarça comum acesa com Deus;
Mas, apenas aquele que vê tira seus sapatos; Os outros apenas sentem
ao redor, colhendo as amoras pretas.

De forma eloquente, Browning constata uma forma curiosamente comum
pela qual Deus tem operado na vida de seres humanos por milhares de
anos. Ele tem se encoberto nas vestimentas de coisas comuns, eventos
e pessoas do nosso dia a dia. A encarnação dele na forma de Jesus
Cristo não é o único exemplo, é apenas o mais conhecido. Tanto antes
quanto depois que o carpinteiro de Nazaré andou pelos caminhos
empoeirados do nosso planeta, Deus tem se engajado na obra de cobrir
o extraordrinário com o comum e de usar o comum para nos ensinar
sobre o extraordinário.

Ele usou um verme e uma planta para comunicar uma mensagem para o
profeta rabugento Jonas. Ele usou um cinto de linho e uma visita à
casa do oleiro para ensinar Jeremias. Ele usou até uma jumenta, de
tudo que se pode imaginar, para tentar falar algo de bom senso para
Balaão. E, quem pode se esquecer de como ele chamou a atenção de
Moisés? Foi por meio de uma sarça comum, acesa no meio do deserto,
que Deus o chamou.

Um pagão certa vez perguntou a um rabino por que Deus escolheu falar
com Moisés por meio da sarça. Ele pensou que Deus teria escolhido
falar pelo som ensurdecedor de um trovão e a luz brilhante de um raio
do topo de um monte magnífico. O rabino respondeu à dúvida assim,
“Foi para lhe ensinar que não há lugar algum na terra onde a glória
de Deus não está, nem até mesmo uma humilde sarça.” As coisas,
eventos e pessoas comuns do nosso dia a dia frequentemente estão
cheios do extraordinário e nos ensinam coisas impressionantes. Tal
instrução nunca contradiz a revelação das Escrituras, mas, traz as
velhas verdades à luz novamente.

A poetisa Browning reconhecia que é possível perdermos de vista o
extraordinário no meio do comum. Muitas vezes não “vemos”, nem
“tiramos nossos sapatos”. Em vez disso nós apenas sentamos ao redor
do extraordinário “colhendo as amoras pretas”. Paulo escreveu para os
fiéis em Éfeso, “Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o
glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno
conhecimento dele. Oro também para que os olhos do coração de vocês
sejam iluminados...” (Efésios 1:17-18). “No pleno conhecimento dele”
– esta é a paixão de um que ama a Deus. É por meio do comum que nosso
Pai extraordinário nos busca e interage conosco diariamente. Por esta
razão, frequentemente, eu oro para ter os olhos do meu coração
abertos para que possa ver O Extraordinário por meio do comum nas
coisas, eventos e pessoas do meu dia a dia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vida em Cristo : Mais do que pedimos ou imaginamos‏

de Alan Smith

Um casal de idosos estavam comemorando seu aniversário de 40 anos de
casamento. Durante a celebração, apareceu um gênio e disse, “Porque
vocês foram tão amorosos todos esses anos, eu darei um desejo a cada
um.”

A esposa rapidamente exclamou, “eu quero uma viagem ao redor do
mundo.” O gênio acenou com a mão e BOOFT – apareceram as passagens
aéreas imediatamente na mão dela.

Logo, era a vez do marido. Ele pausou por um momento, e então, meio
acanhado disse “Bem, eu gostaria de ter uma esposa 30 anos mais jovem
que eu.” O gênio acenou com a mão e BOOFT – de repente, o homem ficou
trinta anos mais velho!

Parece que temos um fascínio por histórias de gênios mágicos que
concedem desejos-- e por que normalmente são três desejos? Qual de
nós não parou para pensar, “Se um gênio me concedesse três desejos, o
que eu escolheria?”

Deus não é, como alguns imaginam, um gênio mágico à espera de tudo
que nós pedimos a ele (veja Tiago 4:3). Entretanto, este nível de
poder e habilidade estão à disposição dele. Note estas palavras de
Paulo:

Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que
pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele
seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações,
para todo o sempre! Amém! (Efésios 3:20-21 NVI)

Deus pode fazer mais do que eu peço a Ele. Isso é fantástico,
considerando que eu tenho alguns pedidos bem difíceis. Além disso, e
isto é realmente impressionante, Deus pode fazer mais do que eu até
mesmo posso imaginar! Eu não sei de você, mas eu posso imaginar
bastante. Ainda assim, Paulo nos assegura que Deus não só pode fazer
tudo que nós pedimos ou imaginamos – ele pode fazer mais,
imensuravelmente mais!

Quando as coisas da vida estiverem além do meu controle, eu
encontrarei conforto em saber que Deus tem este poder tão
incrivelmente grande – não o poder de um gênio imaginário, mas o
poder de um Pai vivo e admirável – que criou o universo.

Às vezes nós nos oferecemos para orar por alguém dizendo, “é o mínimo
que eu posso fazer.” Como nós erramos! Considerando o poder de Deus,
é o a máximo que podemos fazer! Nós conseguimos falar com o Deus
Todo-poderoso que também é nosso Pai amoroso. Fazemos isso por uma
outra pessoa e pedimos que Ele faça mais do que nós podemos pedir ou
imaginar para esta pessoa que amamos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vida em Cristo : Deixar É Amar‏

de Max Lucado

"Mulher, eis aí o teu filho." - João 19.26

O evangelho está cheio de desafios retóricos que provam a nossa fé e
resistência contra a natureza humana.

"Mais bem-aventurado é dar que receber." 1

"Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida
por minha causa, esse a salvará." 2

"Não há profeta sem honra senão na sua terra e na sua casa.”3

Mas nenhuma declaração é mais difícil de entender ou amedrontadora do
que a de Mateus 19.29: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou
irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe (ou mulher), ou filhos, ou campos,
por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida
eterna."

A parte sobre deixar casas e propriedades posso compreender. É a
outra parte que me faz estremecer. A parte sobre deixar pai e mãe,
dizer adeus aos irmãos e irmãs, dar um beijo de despedida num filho
ou filha. É fácil comparar o discipulado com a pobreza ou a desgraça
pública, mas deixar minha família? Por que devo estar disposto a
deixar meus entes queridos? Pode o sacrifício ficar ainda mais
sacrificial do que isso?"

"Mulher, eis aí o teu filho."

Maria está mais velha agora. O cabelo nas têmporas ficou grisalho. As
rugas substituiram sua pele jovem. Tem as mãos calosas. Ela criou
vários filhos e agora contempla a crucificação do primogênito.

Ficamos pensando quais as lembranças que lhe passam pela mente
enquanto testemunha a tortura dele. A longa viagem para Belém,
talvez. Uma caminha de bebê feita de palha. Fugitivos no Egito. Em
casa em Nazaré. Pânico em Jerusalém. "Pensei que estava em sua
companhia!" Lições de carpintaria. Riso à mesa do jantar.

E aquela manhã que Jesus chegou cedo da oficina, seus olhos mais
firmes, sua voz mais direta. Ele ouvira as notícias. "João está
pregando no deserto." Seu filho tirou o avental, limpou as mãos e com
um último olhar despediu-se da mãe. Ambos sabiam que nada mais seria
igual de novo. Naquela último olhar eles compartilharam um segredo,
cuja extensão era demasiado penosa para ser repetida em voz alta.

Maria aprendeu naquele dia que o sofrimento vem com a despedida. A
partir daquele momento teria de amar o filho à distância; na
periferia da multidão, do lado de fora de uma casa cheia, na praia do
mar. Talvez ela até estivesse lá quando foi feita a promessa
enigmática: "E todo aquele que tiver deixado... mãe... por causa do
meu nome."

Maria não foi a primeira a ser chamada para despedir-se de seus entes
queridos por causa do reino. José foi chamado para ser órfão no
Egito. Jonas para ser um estrangeiro em Nínive. Ana levou seu
primogênito para servir no templo. Daniel foi enviado de Jerusalém
para a Babilônia. Neemias de Susã para Jerusalém. Abraão recebeu
ordem para sacrificar seu próprio filho. Paulo teve de despedir-se da
sua herança. A Bíblia está unida por trilhas de adeuses e manchada
por lágrimas de despedida.

De fato, parece que adeus é uma palavra que prevalece no vocabulário
cristão. Os missionários a conhecem muito bem. Os que os enviam
também a conhecem de sobra. O médico que deixa a cidade para
trabalhar no hospital na selva já pronunciou essa palavra. O mesmo
acontece com o tradutor da Bíblia que mora longe de casa. Os que
alimentam os famintos, os que ensinam os perdidos, os que ajudam os
pobres, todos eles conhecem o termo "adeus".

Aeroportos. Bagagem. Abraços. Luzes de ré sumindo na distância. "Diga
até logo para a vovó." Lágrimas. Estações rodoviárias. Cais
marítimos. "Adeus, papai." Gargantas contraídas. Balcões de
passagens. Olhos molhados. "Escreva!"

Pergunta: Que tipo de Deus colocaria as pessoas em tal agonia? Que
tipo de Deus lhes daria famílias e depois pediria que as deixasse?
Que tipo de Deus lhes daria amigos e depois pediria que lhes dissesse
adeus?

Resposta: Um Deus que sabe que o amor mais profundo não é construído
sobre a paixão e o romance, mas sobre uma missão e um sacrifício
comuns.

Resposta: Um Deus que sabe que somos apenas peregrinos e que a
eternidade está bem perto e que qualquer "Adeus" é na verdade um "Te
vejo amanhã".

Resposta: Um Deus que também fez isso. "Mulher, eis aí o teu filho."


João abraçou Maria um pouco mais apertado. Jesus estava pedindo que
fosse o filho que uma mãe precisa e que de certa forma ele não fora.

Jesus olhou para Maria. Sua dor tinha uma origem muito mais profunda
que os pregos e espinhos. Em seu olhar silencioso eles trocaram de
novo um segredo e ele disse adeus.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vida em Cristo : É Deus que faz!‏

de Dorian Anderson Soutto

Lá estava eu novamente em busca de respostas, o que fazer, como e
quando. Minha bíblia, onde está ela? Preciso de respostas, preciso de
algo que acalente meu coração.

O que fazer? É a pergunta que não vai embora.

Bíblia na mão uma pergunta no coração; por onde começo? Pai dá-me uma
luz!

Foi o suficiente para iniciar aquele dialogo de sempre.

"Toda escritura é divinamente inspirada." È a resposta que vem ao meu
coração.

Pai não é fácil! Como vou encontrar resposta na genealogia de Adão a
Noé, ou de Abraão a Cristo?

Ela se discerne espiritualmente, porque não me pede ajuda.

Verdade...

Como posso me esquecer disto.

Pai preciso de Ti! Ajuda-me, abra meus olhos para enxergar em toda
escritura as suas palavras, por favor, Pai, dependo de Ti! Em nome de
Jesus - Amem!

Vamos lá...

Abro a primeira página de minha bíblia passo pelo índice, algumas
declarações de minha esposa escrita com uma letra doce em uma página
quase em branca, alguns pedidos de oração na próxima página rabiscada
por mim mesmo, enfim a palavra.

Gênesis 1:1 “No principio criou Deus os céus e a terra.”

Bom... aí está! È o contato com a palavra, é ela! Eu homem, criatura
tido por filho diante da palavra do Criador que agora é Pai. Como
Deus pode me falar algo através um simples versículo? Fecho meus
olhos e começa a meditar... "No principio criou Deus os céus e a
terra".

È isto! Lá estava Ele, somente ele. Deus! O soberano! Ninguém mais.
Nenhum homem é citado, nenhuma presença a não ser Ele com Ele.

Onde eu estava? Ainda não existia, mas Ele sim, lá estava Ele...

No principio de tudo, exatamente lá, onde ninguém mais esteve, onde
nada tinha forma, tudo era vazio, tudo trevas, lá estava Ele,
soberano, no comando de tudo, pronto para transformar todo caos em
beleza, em algo chamado por Ele mesmo de "Bom". O Deus bom fazendo
algo bom.

E o que Ele fez? "Criou" é a resposta. Eu poderia ficar só com isto:
"Criou Deus...". È Deus que faz! Esta é a resposta que eu procurava é
estas palavras que combate toda a minha falta de fé, todo o meu
desconforto. - Filho, sou Eu quem faço, sou Eu... Todas as coisas são
feitas por mim e para mim, sem mim nada podeis fazer.

Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o
poder, pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existem e
foram criadas (Ap 4:11).

Ali... Em apenas um versículo Ele coloca o homem no lugar do homem e
Deus no lugar de Deus, se faz conhecer por suas obras: "Os céus
manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas
mãos" (Sl 19:1).

Olho pela janela do quarto e vejo minha filha brincando com a
mangueira d’água, embaixo de seus pés a grama verde e sob sua cabeça
o céu azulado. Tudo isto teve um principio NELE, e sua fidelidade a
sustenta tudo até hoje.

Todas as sua obras te louvarão, ó Senhor (Sl 145:10)".

"Grande e maravilhosas são tuas obras, Senhor, Deus todo-poderoso!
(Ap 15:3)".

De alguma forma quando começo a me concentrar nas obras de Deus, vem
a segurança e o conforto, tiro os olhos de mim mesmo, tiro os olhos
de meus recursos, dos métodos humanos e coloco meus olhos naquele que
é antes de tudo e que tem o controle de tudo, Ele é o método.

Termino de ler o verso 2 e 3 de Gênesis e concluo que aquilo que
estava sem forma e vazio dentro do meu coração, tomou forma, Ele
disse: Haja Luz! E houve luz.

Luz para meus caminhos é a sua palavra ó Deus, bondoso e
misericordioso. Obrigado Papai. Perdoe-me por muitas vezes achar que
sou eu quem faço. A obra é tua ó Pai!

Fecho minha bíblia e saio com o alimento para mais uma
jornada. Servirá para eu caminhar mais um pouco, logo precisarei
voltar a fonte. Mas bendito seja o nome de Deus que a fonte de água
viva nunca seca. A tua palavra é viva, é eterna, não passará.

Obrigado novamente Pai, pela sua palavra. Obrigado, pois "É O Senhor
quem Faz!".

terça-feira, 22 de junho de 2010

Vida em Cristo : Guardando o Bem e Livrando-se do Mal‏

de Paulo Roberto Barbosa

"Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e segue-a." (Salmos
34:14).

Um viajante encontrou, certo dia, um homem idoso que carregava dois
sacos. Um estava pendurado em seu pescoço, na frente e o outro estava
amarrado com correias às suas costas. "O que você está levando nestes
sacos?" perguntou o viajante. "Deixe-me ver". "Eu tenho aqui uma
grande variedade de coisas e ficarei feliz em mostrar-lhe", respondeu
o velho. "O saco que eu levo na frente está cheio dos bons
testemunhos e das boas ações dos outros. Sempre que eu ouço ou vejo
as boas coisas que os outros fazem, eu os ponho neste saco e levo
comigo para que eu possa sempre relembrá-las". "O saco parece estar
muito cheio. Deve ser um fardo pesado carregá-lo", disse o viajante.
"Você está muito enganado", replicou o velho. "Embora o saco esteja
cheio, não é pesado. Longe de parecer um fardo, me ajuda a seguir em
frente como as velas de um navio". "E o que você coloca no saco que
leva nas costas?" perguntou o viajante. "Todo o mal que eu constato
nos outros eu ponho nele", disse o homem velho, "para que fiquem fora
de minha visão". "Parece estar vazio", disse o viajante. "Não é para
menos", continuou o viajante, "há um buraco na parte inferior". "Eu
fiz isto de propósito", respondeu o homem velho, "de forma que todo o
mal que eu ouça ou veja, caia por ele e se perca. Não me pesará e nem
me impedirá de prosseguir."

O maior embaraço para o êxito de nossos objetivos é a preocupação com
a vida de nosso próximo. Enquanto nos distraímos com os erros
cometidos por aqueles que nos cercam, deixamos de cuidar de nosso
próprio caminho, de lutar pelos nossos ideais, de perseverar na busca
de nossos sonhos.

Melhor é aprender com as virtudes do que nos deixar enredar
pelos defeitos dos amigos. Melhor é assimilar o que há de bom nos
homens e aplicar da melhor maneira em nosso viver diário. Agindo
assim estaremos sempre de bom-humor e o brilho de Deus nos
acompanhará por toda a parte. O mal que existe no mundo só serve para
ofuscar a nossa visão espiritual, para fazer-nos tropeçar, para
impedir que o nosso relacionamento íntimo com o Senhor Jesus Cristo
nos proporcione uma vida de absoluta paz e felicidade.

Se você se preocupar apenas com o que há de bom nas pessoas, viverá
muito melhor.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vida em Cristo : Vivo‏

De Max Lucado

Estrada. Escuridão. Estrelas. Sombras. Quatro. Sandálias. Mantos.
Silêncio. Suspense. Bosque. Árvores. Sozinho. Perguntas. Angústia.
"Pai!" Suor. Deus. Homem. Deus-Homem. Prostrado. Sangue. "NÃO!"
"Sim." Anjos. Consolo.

Passos. Tochas. Vozes. Romanos. Surpresa. Espadas. Beijo. Confusão.
Traição. Temor. Corra! Prisão. Punhos. Marcha.

Pátio. Sacerdotes. Lampadas. Sinédrio. Caifás. Zombaria. Seda.
Arrogancia. Barba. Conspiração. Pés descalços. Corda. Calma.
Empurrões. Pontapés. Anás. Indignação. Messias? Julgamento. Nazareno.
Confiante. Pergunta. Resposta. Soco!

Pedro. "Eu?" Galo. Três vezes. Culpa.

Procedimentos. Corte. Rejeição. Processo. Cansado. Pálido.
Testemunhas. Mentirosos. Inconsistentes. Silêncio. Olhares.
"Blasfemador!" Ira. Espera. Ferido. Sujo. Fatigado. Guardas.
Cuspidas. Venda nos olhos. Escárnio. Golpes. Fogo. Escurecer.

Nascer do sol. Dourado. Jerusalém. Templo. Páscoa. Cordeiros.
Cordeiro. Adoradores. Sacerdotes. Messias. Ouvir. Fraude.
Prisioneiro. Espera. Ficar de pé. Mudança. Estratégia. "Pilatos!"
Armadilha. Murmúrios. Saída.

Agitação. Parada. Multidão. Aumento. Romanos. Pilatos. Toga.
Aborrecido. Nervoso. Oficiais. Túnicas. Espadas. Silêncio.
"Acusação?" "Blasfêmia." Indiferença. Ignora. (Mulher. Sonho.)
Preocupação. Entrevista. Lábios. Dor. Determinado. "Rei?"
"Céu."'Verdade." "Verdade?" Sarcasmo. (Temor.) "Inocente!" Barulho.
Vozes. "Galileu!" "Galileu?" "Herodes!"

9 da manhã. Pés em marcha. Palácio. Herodes. Raposa. Intrigante.
Barrigudo. Coroa. Manto. Cetro. Saguão. Elegancia. Silêncio.
Manipular. Inútil. Vexado. Insulto. Provocação. "Rei?' Manto.
Teatral. Cínico. Odioso. "Pilatos!"

Marcha. Vozerio. Prisioneiro. Silêncio. Pilatos. "Inocente!" Tumulto.
"Barrabás!" Rebelião. Desespero. Cristo. Desnudar. Anéis. Parede.
Costas. Chicote. Açoite. Castigo. Lágrima. Osso. Gemido. Carne.
Ritmo. Silêncio. Chicote. Silêncio. Chicote. Silêncio. Chicote!
Espinhos. Agudos. Cegueira. Riso. Motejo. Cetro. Bofetada.
Governador. Perturbado (Quase). Olhos. Jesus. Decisão. Poder.
Liberdade? Ameaças. Olhares. Gritos. Fraco. Bacia. Agua.
Influenciados. Acordo. Sangue. Culpa.

Soldados. Ladrões. Trave da cruz. Ombro. Pesada. Trave. Pesada. Sol.
Cambalear. Declive. Casas. Lojas. Faces. Lamentadores. Murmúrios.
Peregrinos. Tropeção. Pavimentação de pedras. Exausto. Sem fôlego.
Simão. Patético. Gólgota.

Mas ele veio. Mesmo sabendo da angústia, ele veio. Mesmo conhecendo a
dor, a vergonha, a humilhação, a falta de amor das pessoas, ele veio.

Caveira. Calvário. Cruzes. Execução. Morte. Meio-dia. Lágrimas.
Observadores. Gemidos. Vinho. Nu. Ferido. Inchado. Viga mestra.
Sinal. Chão. Pregos. Batidas. Batidas. Batidas. Traspassado.
Contorcido. Sede. Terrível. Graça. Debater-se. Levantado. Montado.
Pendurado. Suspenso. Espasmos. Suspiros. Sarcasmo. Esponja. Lágrimas.
Provocações. Perdão. Dados. Jogo. Escuridão.

Absurdo.
Morte. Vida.
Dor. Paz.
Condenação. Promessa.
Nenhum lugar. Algum lugar.
Ele. Nós.

"Pai!" Ladrões. Paraíso. Lamentos. Choro. Atônito. "Mãe." Compaixão.
Escuridão. "Deus meu!" Medo. Bode expiatório. Deserto. Vinagre.
"Pai." Silêncio. Suspiro. Morte. Alívio.

Terremoto. Cemitério. Túmulos. Corpos. Mistério. Cortina. Lança.
Sangue. Água. Linho. Tumba. Medo. Espera. Desespero. Pedra. Maria.
Correr. Talvez? Pedro. João. Crença. Elucidação. Verdade. Humanidade.
Vivo. Vivo. Vivo!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vida em Cristo : O Meu Tempo Está Próximo‏

de Dennis Downing

No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos
dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: “Onde queres que preparemos a
refeição da Páscoa?” Ele respondeu dizendo que entrassem na cidade,
procurassem um certo homem e lhe dissessem: “O Mestre diz: O meu
tempo está próximo. Vou celebrar a Páscoa com meus discípulos em sua
casa”. Os discípulos fizeram como Jesus os havia instruído e
prepararam a Páscoa. - Mateus 27:18

“O meu tempo está próximo”, Jesus disse.

Não era seu tempo de ser reconhecido, e sim, rejeitado.
Não era seu tempo de ser honrado, mas, humilhado.
Não era seu tempo de ganhar, e sim, perder.
Tudo. Amigos. Família. Força. Roupa. Vida.

Não sabemos o que nos espera amanhã ou no mês que vem. Podem ser
novidades agradáveis ou pode ser conflito, sofrimento ou perda.
Embora Jesus merecia o melhor, ele encarou sua hora de injustiça e
humilhação com a confiança de que Deus está em controle.

O Filho de Deus se preparou para celebrar a Páscoa, embora sabia que
ele mesmo seria o próprio cordeiro a ser sacrificado.

Seja qual for sua situação hoje ou amanhã, se você confia que Deus
pode salvar sua alma, confie também que ele sabe cuidar das
circunstâncias da sua vida, seja quais elas forem.

Oremos: Soberano Deus, ninguém sabe cuidar de nós como o Senhor. Nem
nós sabemos cuidar de nós mesmos como o Senhor. Obrigado pelo exemplo
de Jesus que sempre confiou no Senhor e nos mostrou como nosso Pai
cuida de todos os seus filhos. Que um dia possamos celebrar de novo
com ele aquela ocasião quando, no meio de tanta dor e sofrimento, o
Senhor nos deu a própria salvação. Em nome de Jesus oramos. Amém.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vida em Cristo : Quando Ele fica em Silêncio‏

de Danilo Souza



Mas Jesus não lhe respondeu nada... Mateus 15.23

Nenhum de nós aprecia o silêncio. Odeio chegar em casa e encontrar a esposa calada... Fico pensando assim: “será que falei alguma coisa que ela não gostou?”, ou talvez, “será que ela está me poupando de alguma tristeza?”.

Em nossa jornada com Cristo, assim como ocorreu com a mulher Cananéia, precisaremos desesperadamente de uma palavra do Salvador, mas Ele ficará calado. Não que Ele seja desumano conosco; pelo contrário, a melhor fé que existe é aquela que nasce em nosso coração quando não temos razão nenhuma para acreditar, mas mantemos nossa expectativa de que em meio ao silêncio, Deus trará o milagre em nossa vida e família.

Jesus está quietinho, não é mesmo? Não se desespere... Breve, muito em breve, ele transformará toda tristeza em profunda alegria. Deus te abençoe!

Quando Ele fica em silêncio, é porque está trabalhando!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vida em Cristo: Uma Luz na Caverna

de Max Lucado



Eles estão vindo como amigos, amigos secretos — mas amigos de qualquer jeito. "Você pode deitá-lo agora, soldado. Eu vou cuidar dele.”

O sol da tarde está alto enquanto eles ficam de pé, em silêncio, no monte. Tudo parece mais quieto do que antes. A maior parte da multidão foi embora. Os dois ladrões ofegam e gemem pendurados ali,
prestes a morrer. Um soldado encosta uma escada na árvore do centro, sobe nela e remove a estaca que prende a viga de apoio da cruz. Dois dos soldados, contentes ao ver o fim do dia de trabalho, ajudam na tarefa pesada de colocar a cruz de cipreste e o corpo no chão.

“Cuidado agora", diz José.

Os pregos de 12 cm são retirados da madeira dura, libertando as mãos frouxas. O corpo que revestia o Salvador é levantado e colocado sobre uma rocha grande.

“Ele é todo seu", diz a sentinela. A cruz é posta de lado, para ser levada em seguida ao depósito até a próxima requisição.

Os dois não estão acostumados a este tipo de trabalho. Mas suas mãos se movem rapidamente, cumprindo a tarefa.

José de Arimatéia se ajoelha por trás da cabeça de Jesus e enxuga com ternura a face ferida. Com um pano macio e molhado ele limpa o sangue que escorreu no jardim, devido aos açoites e à coroa de espinhos. Feito isto, ele fecha os olhos bem fechados.

Nicodemos desenrola os lençóis de linho levados e os coloca na rocha ao lado do corpo. Os dois líderes judeus levantam o cadáver sem vida de Jesus e o põem sobre os lençóis. Partes do corpo são agora ungidas com especiarias perfumadas. Ao tocar as faces do Mestre com aloés, Nicodemos não consegue conter a emoção. Suas lágrimas caem sobre o rosto do Rei crucificado. Ele faz uma pausa para enxugar outra. O judeu de meia-idade olha tristemente para o jovem Galileu.

E um tanto irônico que o sepultamento de Jesus fosse conduzido, não por aqueles que se gabaram que jamais o deixariam, mas por dois membros do Sinédrio, dois representantes do grupo religioso que matou o Messias.

Todavia, de todos os que eram devedores daquele corpo sofrido, ninguém devia tanto quanto aqueles dois. Muitos tinham sido libertados dos abismos profundos da escravidão e doença. Muitos foram
encontrados nos túneis mais escuros, túneis de perversidade e morte. Mas túnel algum jamais foi mais escuro do que aquele do qual esses dois homens foram resgatados.

O túnel da religião.

Não existe outro mais sombrio. Suas cavernas são muitas e seus abismos profundos. Seu desagradável mau cheiro subterrâneo é produto de boas intenções. Seu labirinto de canais está repleto de desorientados. Suas trilhas estão cobertas de odres de vinho e bebida derramada.

Você não desejaria levar uma fé incipiente para este túnel. As mentes jovens e inquisitivas logo se estragam na escuridão mortiça. As novas perspectivas são ignoradas a fim de proteger as frágeis tradições. A originalidade é desencorajada. A curiosidade sufocada. As prioridades desconsideradas.

Cristo só teve palavras fortes de censura para os que habitam nas cavernas. Ele os chamou de "hipócritas". Atores sem Deus. Construtores de barreiras. Juízes inflexíveis. Podadores sem autorização. Detalhistas inúteis. "Guias cegos". "Sepulcros caiados". "Víboras." Bang! Bang! Bang! Jesus não tinha tempo para os que se especializavam em fazer da religião um deus da guerra e da fé uma corrida pedestre. Não lhes dava qualquer oportunidade.

José e Nicodemos também estavam cansados. Haviam experimentado tudo. Tinham visto as listas de regras e regulamentos. Observaram o povo tremer sob os fardos insuportáveis. Ouviram as discussões
intermináveis sobre detalhes legalistas. Usaram as vestimentas e se sentaram nos lugares de honra, vendo a Palavra de Deus ser usada em vão. Puderam perceber que a religião se tornara uma muleta que aleija.

Eles queriam livrar-se de tudo isso.

O risco era grande. A alta sociedade de Jerusalém não aprovaria a atitude de dois de seus líderes religiosos sepultando um revolucionário. Mas para José e Nicodemos a escolha era óbvia. As histórias contadas por aquele jovem pregador de Nazaré continham uma verdade que jamais fora ouvida na caverna. E, além do mais, eles preferiam salvar suas almas do que suas peles.

Levantaram então vagarosamente o corpo e o levaram para o túmulo novo. Ao fazerem isso, acenderam uma vela na caverna.

Supondo que esses dois homens estivessem observando o mundo religioso durante os últimos dois mil anos, eles teriam provavelmente descoberto que as coisas não mudaram tanto.

Existe ainda uma grande parte de mal vestindo as roupas da religião e usando a Bíblia como um malho. É ainda moda usar títulos sagrados e correntes santas. E continua sendo ainda verdade que é preciso encontrar fé apesar da igreja em lugar de na igreja.

Eles observaram também, no entanto, que no momento em que os religiosos ficam religiosos demais os retos ficam retos demais, Deus encontra alguém na caverna que acende uma luz. Ela foi acesa por
Lutero em Wittenburg, por Latimer em Londres e por Tyndale na Alemanha. John Knox soprou as brasas como um escravo das galés e Alexandre Campbell fez o mesmo como pregador.

Não é fácil acender uma vela numa caverna escura. Todavia, aqueles dentre nós cujas vidas foram iluminadas por causa desses homens corajosos são eternamente gratos. De todos os atos de
esclarecimento, não há dúvida qual foi o mais nobre.

“Você pode deixá-lo agora, soldado. Eu cuidarei dele."
 

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